sexta-feira, 2 de março de 2012

O PERIGO DE QUERER BARGANHAR COM DEUS


Texto Bíblico: Mateus 4.1-11

INTRODUÇÃO

I. A BARGANHA NA BÍBLIA  
II. PRESSUPOSTOS DA “TEOLOGIA DA BARGANHA”
III. O PERIGO DE BARGANHAR COM DEUS

CONCLUSÃO

O HALL DA FAMA DA FÉ

Por

Hank Hanegraaff

Bem, que dizer acerca disso? Na sua maneira de pensar, quem é que deveria ser introduzido no “hall da fama” da Fé? Jó ou seus “amigos”? Já está na hora de você dar seu voto. A quem escolherá?
Sugiro que, antes, você considere atentamente o caso de Jó. A questão a ser respondida é esta: Em questões de fé, Jó integra o “hall da fama”, lado a lado com luminares como Abraão, Isaque e Jacó? Ou seria um homem carnal e sem fé, cuja propensão para confissões negativas acarretou-lhes a própria queda, tão trágica?
Antes de votar, porém, considere o que o autor de bestsellers, Benny Hinn, tem a dizer. Ele afirma que as tribulações de Jó lhe sobrevieram porque ele proferiu palavras de medo e fez acusações a Deus. Hinn descreve Jó como homem “carnal” e “mau”, asseverando inclusive que a “boca de Jó era seu maior problema”. Em essência, ele diz que Jó tocou no lado negativo da força por meio de suas volumosas confissões negativas [Programa “Benny Hinn” TBN - 3 de Novembro de 1990].
A fim de que florescesse a mensagem da Fé, Jó precisava cair. E ele realmente caiu – mas não por ser culpado de alguma grande falha moral. Antes, foi derrubado por uma campanha de ataques maliciosos, na qual foi temerariamente caricaturado por Hinn como um dos maiores fracassos da fé de todos os tempos.
Naturalmente, Hinn precisou ignorar o claro contexto das Escrituras para liberar sua diatribe contra Jó. Pois enquanto Deus o chama de bom, Hinn acusa-o de mau. Quando Deus diz que Jó falou corretamente, Hinn diz que ele fez uma confissão negativa.
Deus deixou claro que Jó era “íntegro e reto, temente a Deus, e que se desviava do mal” (Jó 1.1,8; 2.3). De fato, o Senhor chegou a declarar a Satanás que “ninguém há na terra semelhante a ele” (Jó 1.8; 2.3).
A despeito dos elogios divinos recebidos por Jó, Benny Hinn insiste em atacá-lo. Numa das mais horrorosas que jamais testifiquei numa televisão evangélica, Hinn não somente aviltou Jó por sua falta de fé, mas denegriu uma das maiores declarações de fé jamais proferidas em meio à tragédia.
Apesar do aviso sombrio de Provérbios 3.6 (“Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso”), Hinn adicionou a palavra “nunca” ao texto de Jó 1.21, revertendo assim completamente o significado da passagem. Encorajado pela audiência, riu-se: “Vocês sabem o quê? Já dissemos isso um milhão de vezes, e nem ao menos é bíblico – tudo por causa de Jó: ‘O Senhor deu, e o Senhor o tomou’. Tenho uma novidade para vocês: isso não é a Bíblia; não é a Bíblia. O Senhor dá e nunca toma de volta. E somente porque ele disse: ‘Bendito seja o nome do Senhor’ não significa que estava com a razão. Quando falou: ‘Bendito seja o nome...’, Jó estava apenas sendo religioso. E ser religioso não significa que você está com a razão” [Programa TBN, 03 de Novembro de 1990].
O arroubo de Hinn não é fato isolado. Muito antes de ele atacar Jó, homens como Copeland, Capps, Savelle, Crouch e uma hoste de outros já o tinham feito.
Não somente esses mestres da Fé alteram a passagem para que ela diga precisamente o contrário do que está registrado na Bíblia, mas também ignoram que o versículo seguinte das Escrituras elogia Jó com as seguintes palavras: “Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma” (Jó 1.22).